O CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE SOBRE O MANDADO DE CRIMINALIZAÇÃO DA RETENÇÃO DOLOSA DE SALÁRIO: UMA ANÁLISE SOBRE A COMPATIBILIDADE MATERIAL ENTRE O ARTIGO 7º, INCISO X, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA E O DELITO DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA, CAPITULADO NO

Autores

  • Gustavo Henrique de Andrade Cordeiro UNIVEM
  • Breno Ortiz Tavares Costa UNIVEM

DOI:

https://doi.org/10.26729/et.v23i2.3659

Resumo

O direito fundamental social ao salário, pedra angular para a dignidade do trabalhador e a subsistência de sua família, é robustecido por garantias constitucionais que asseguram sua proteção, irredutibilidade e estabelecem um piso mínimo nacional. O artigo 7º, inciso X, da Constituição Federal, em reconhecimento à sacralidade desse direito, impõe ao legislador brasileiro a obrigação de criminalizar a retenção dolosa do salário. Apesar das décadas desde a promulgação da Constituição, o legislador ordinário ainda não cumpriu a tarefa de tipificar especificamente o crime de retenção dolosa do salário. A prática, até então, tem sido enquadrada como apropriação indébita, uma alternativa interpretativa válida, porém insuficiente para refletir a real gravidade desse comportamento. A retenção dolosa do salário, incluindo sua procrastinação intencional, transcende a mera apropriação indevida, impactando a dignidade do trabalhador e seu direito fundamental ao sustento. O descompasso entre as penas previstas para a apropriação indébita e a reprovabilidade da retenção dolosa configura um desafio na busca por uma resposta penal eficaz e proporcional. Este artigo propõe uma análise crítica dessa lacuna na legislação brasileira. A metodologia adotada baseia-se principalmente em pesquisa bibliográfica, incorporando autores que discutiram o tema e assuntos correlatos. A abordagem dedutiva será utilizada para a análise crítica dos elementos apresentados, buscando compreender as implicações jurídicas e sociais desse precedente no cenário internacional. A pesquisa visa a destacar a necessidade premente de uma tipificação específica para a retenção dolosa do salário, considerando sua relevância para a dignidade humana e o direito fundamental ao trabalho. O artigo busca, assim, contribuir para o debate sobre a efetividade do sistema legal brasileiro na proteção desse direito, promovendo uma reflexão essencial sobre o papel da legislação penal na preservação dos fundamentos do Estado Democrático de Direito.

Biografia do Autor

  • Gustavo Henrique de Andrade Cordeiro, UNIVEM

    Promotor de Justiça no Ministério Público do Estado de São Paulo. Professor e Pró-Reitor de Acadêmico do Centro Universitário Eurípedes de Marília (UNIVEM). Mestre em Direito pelo Centro Universitário Eurípides de Marília (UNIVEM). Doutor em Direito pela Instituição Toledo de Ensino (ITE). Vice-Líder do Grupo de Pesquisa DiFuSo - Direitos Fundamentais Sociais. Coordenador do Grupo de Estudos de Marília João Batista de Santana da Associação Paulista do Ministério Público do estado De São Paulo.

  • Breno Ortiz Tavares Costa, UNIVEM

    Possui graduação em Direito, com especialização em Direito do Trabalho, pelo Centro Universitário Euripedes de Marília (2003) e especialização em Direito Empresarial com ênfase em Direito do Trabalho pela Instituição Toledo de Ensino (Bauru/SP - 2007/2008). Atualmente é juiz federal do trabalho pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª (Campinas).

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Publicado

2024-08-30

Edição

Seção

Artigos Seção Geral